quarta-feira, 19 de setembro de 2007

ignoro, logo existo

Uma das acepções da palavra ignorância é: "estado daquele que ignora algo, que não está a par da existência de alguma coisa". Nesse sentido, somos todos ignorantes.

Então a questão não é sermos ignorantes. É ignorarmos esta condição. Afinal, qual o problema em não se saber tudo? Você conhece alguém que realmente saiba? Ou que seja arrogante o suficiente pra dizer isso?

No primeiro semestre da faculdade (isso faz 12 anos), ouvi pela primeira vez a frase "o jornalista é aquele que sabe um pouco de tudo". Não demorou muito para eu ouvir também que "o jornalista é aquele arrogante que acha que sabe tudo e no fundo não sabe de nada". Fiquei com medo, que nem a Regina Duarte.

Primeiro, tive medo de nunca saber o suficiente pra ser uma jornalista. Depois, tive medo de saber demais. E, finalmente, entendi que eu sempre seria, de fato, uma ignorante. O que é bom, diga-se de passagem. No momento em que não sei alguma coisa ou não tenho conhecimento sobre algum assunto, eu busco saber, eu busco aprender. E isso é tão divertido! Se desconheço, as portas estão abertas para que eu passe a conhecer. E, ainda por cima, sou uma privilegiada por ter uma base de conhecimento que me faz entender que eu ignoro muita coisa, mas que eu tenho capacidade pra aprender. Que felicidade!

Claro que tiro minhas próprias conclusões, tenho meus pontos de vista e sou um pouco radical de vez em quando. Mas fico muito feliz quando consigo falar sobre um assunto com conhecimento de causa. Tão feliz que me vejo arrogante. Não é minha intenção, obviamente. Acho que faz parte dessa minha personalidade "falo-o-que-quero". E não tô dizendo que isso é bom ou ruim. Apenas É. Mas dentro dessa mesma personalidade, está a minha total consciência de ser um ser ignorante. E isso me anima. Talvez eu não sirva então pra continuar sendo jornalista... sei lá. Talvez eu nunca descubra minha missão nesse mundo medonho. Mas eu vou sempre procurar saber mais um pouquinho. E até ajudar, na medida do possível, aqueles que não se permitem ser ignorantes.

Do alto da minha ignorância, quem sabe eu aprendo alguma coisa...

6 comentários:

Anônimo disse...

Com bem disse Sócrates: "Eu só sei que nada sei". Saudades, Dani!!! Mil beijos

Marloupin disse...

Sem dúvida, temos que ter dúvidas!!! (°<_^)
Je n'ai pas encore eu l'occasion de voir "Troupes d'élite", je ne sais pas si ça va passer en France...
Biz. Jul.

Arnaldo Heredia Gomes disse...

O grande tesão da ignorância é a chance que ela nos dá de estar sempre aprendendo. Aprender é o grande prazer deste mundo. Saber é outro grande prazer. E o saber pode nos tornar arrogantes (e nos torna, sempre) mas isso pode ser minimizado se a gente tiver a grandeza (e, sobretudo, a coragem) de constantemente se auto-questionar. Coragem de entrar numa discussão sem medo de reconhecer quando estiver errado. Isso é que é verdadeiramente prazeroso. Isso é que enriquece.

Rita Queiroz disse...

Eu sei tudo! (não conta pra ninguem)

Anônimo disse...

Essa idéia de q "jornalista TEM q saber um pouco de tudo" é tão fraquinha, mas tão repetida pelo senso comum, né? Por favor! Isso me incomoda mto.
O importante é utilizarmos os meios certos para buscar o conhecimento.
E o bom nisso tudo é q o "saber" não ocupa espaço... hehehe!
Bjo!

Dani Reule disse...

Ju:
Bem lembrado. Bjos

Jujules:
Veja! Você vai gostar ;o)

Arnaldo:
Mesmo pq, nas discussões estamos aprendendo também, certo?

Rita:
Eu sabia!! hahaha

Cris:
Se todo jornalista pensasse assim, estaríamos bem melhor. hihihi